Uma casa listrada

casa da vovólima - frente

Ao chegar na Vila dos Ipês você se depara com um portão simples de ferro, com uma plaquinha singela feita com letras brancas em um fundo azul, informando que a partir daquele ponto você entrará em um novo mundo. Quem passa pela rua não sabe que lá dentro se encontra um oásis – um local perdido em meio a selva de concreto.

Quarenta passos. É a distância necessária para percorrer o corredor largo, com chão de paralelepípedo bem cinza, salpicado por folhas amareladas. No final do corredor, à direita, você vê lindas casinhas geminadas, cada uma com uma cor própria, com crianças brincando de pega-pega por entre os carros e bancos e jovens conversando perto de um grande muro. De todas as casas a que mais chama atenção é a número 14.

Não é por ela ser mal cuidada ou assombrada – o que a faz destoar das demais é a sua pintura: uma harmônica combinação de listras verdes, claras e escuras. Em todas as suas janelas -que são verdes- você verá plantas e flores dos mais diversos tipos: margaridas, amores perfeitos, violetas, rosas e até algumas gérberas pululam por ali. É nessa casa que mora uma simpática senhora que, refletindo a sua moradia, só veste tons de verde (às vezes ela coloca uma saia vermelha para “estar mais na moda”, como ela gosta de falar).

Ao entrar na casa, você se depara com um enorme corredor que te permite vislumbrar uma porta para o seu jardim particular. Ainda não iremos lá agora, mas é lá que a Vovólima passa a maior parte do seu tempo.

casa da vovólima - planta baixa

Bem, se você olhar para a esquerda encontrará a sala da casa. Um sofá de madeira com almofadas macias e aconchegantes te convidam para sentar e assistir TV tomando chá e comendo chocolates. Encostada na parede, à sua direita, há um grande armário que guarda alguns livros e bonecas que a Vóvis faz. Após o armário, encontramos uma escada que dá acesso ao andar superior da casa.

Logo no final da mesma, encontramos um grande quarto. Ali é um quarto especial que apenas poucas pessoas tem acesso. Ele está conjugado com a biblioteca da Vovólima, que além de ocupar outro quarto, tomou o lugar onde antes era um banheiro. Atrás da escada, existem mais dois quartos: um da Vovólima e outro que ela guarda para as visitas, mas que atualmente está dominado pelos brinquedos da Fabine. Se você for dormir lá, precisará pedir licença para as três bonecas que ocupam a cama, perguntando se você poderá dormir no local delas.

Voltando para o andar térreo em busca do grande corredor, encontraremos uma portinha discreta que esconde um grande -e único- banheiro da casa. Ele é todo branquinho, com o chão ladrilhado por pisos portugueses. Ao fundo fica uma grande banheira branca, que a Fabine adora passar o tempo inventando histórias sobre o mundo subaquático.

Perto do final do corredor, é possível sentir um doce aroma de ervas -algumas medicinais e outras apenas temperos- se confundindo com cheiros suaves de flores e da comida quentinha da Vovólima. Seu tempero não é forte e nem muito fraco; está na medida para saciar o mais voraz dos apetites ou atiçar qualquer um que esteja sem fome.

A cozinha tem uma enorme pia branca. Vovólima não gosta das modernas pias de metal, ela acha que o aço tira o gosto da comida. Ao lado dela, você encontra um pequenino mas poderoso fogão azul. É um modelo antigo, mas que funciona que só uma beleza! Olhando para o fogão há o grande chodó da vovó: uma geladeira vermelha, daquelas cinquentonas que fazem qualquer frost-free se curvar perante a sua beleza. Semanalmente a Vovólima a limpa com todo carinho e água morna. Ela diz que usa água morninha porque a geladeira não gosta de água fria, pois dá arrepios nela e várias vezes já a deixou resfriada.

Uma coisa que eu não contei é que após percorrer o corredor, você se depara com uma enorme janela sobre a pia que mostra ao visitante o vistoso jardim da casa. Após atravessar uma porta de madeira que possui uma tela ao invés de janelas de vidro, você se vê em uma alpendre.

casa do vovólima - fundos

À sua esquerda você verá algumas cadeiras de vime, um ótimo local para sentar e ler um bom livro. Em ambos os lados, você perceberá que esse jardim possui uma cerquinha baixa, que lhe permitiria cumprimentar facilmente os vizinhos, dizendo “Bom dia!” ou oferecendo um pedaço quente de bolo de chocolate.

O jardim da Vovólima se destaca pela profusão de cores -muitos tons de verde- e diversos aromas que ali se encontram. Não é exagero dizer que ele é o jardim mais belo da Vila. No lado esquerdo, perto do fundo, há um enorme Ipê. Agora suas flores estão brotando e logo-logo irão deixar os sues braços com um roxo único que só ele poderia ter.

Por ser um jardim muito vistoso, é possível encontrar diversos tipos de pássaros e insetos que por ali transitam. Os bichos não se sentem acuados em ficar lá, pois nem o Froid ousa perturbar a sua paz – aliás, ele prefere ficar observando as pessoas do telhado ao invés de correr atrás de passarinhos menores que ele.

E é assim que apresento a casa da Vovólima. Gostou do passeio? O que você mais gostou na casa? O que falta? Como podem ser as paredes e enfeites dela? Buzinem!

Um grande abraço,

.faso

3 comentários sobre “Uma casa listrada

  1. Lucas "Spider" disse:

    Olá .faso! Qual é o endereço ??? quero visitar! hehehehehehe

    É por isso que adoro esse blog, simplesmente me fez tocar em algo que minha mente não se lembrava há anos! Mas antes de falar sobre isso vou comentar a casa.

    Muiiitooo boa! Me senti aconchegado daqui! Imaginei cada cantinho. Sobre a biblioteca qro buzinar, como você disse, a biblioteca ocupa também um cômodo que chegou a ser um banheiro, na hora me veio a mente um vaso sanitário todo enfeitado na biblioteca, não, ele não funciona, mas a vovó o enfeitou, lacrou a tampa né hehehe, que ele nem mesmo se parece mais com um vaso sanitário, mas sim com uma confortável poltrona , a qual a vovó vulgarmente chama de trono hehehehehehe de frente a uma mesa.
    Sobre o jardim, imaginava algo maior, mas ficou muito bom também. E faltou um balanço naquela árvore ali, que tal ? Acho que a Fabi concorda comigo hehehehehe E claro um banco daqueles de praça.

    Os enfeites da casa, imagino aqueles pratos portugueses ( http://www.geocities.com/ocoreto/E_0027_replica_pratos_portugueses.jpg ) nas paredes do corredor. Por enquanto é isso.

    Sobre o que eu falei no início do comentário…. Essa casa da vovó me fez voltar a época de criança quando eu tinha apenas uns 7 anos.

    O trajeto até a escola era relativamente curto, e eu ia para a escola a pé mesmo, acompanhado pela doméstica ou minha (ma)mãe, e minha irmã que tinha 5 anos e ia junto para a escola. No caminho, havia uma casa com um grande e colorido jardim na frente, com árvores, flores e aquelas plantas que aquelas senhoras juram que fazem chá pra curar até câncer hehehehehe. Eu todo dia passava por ali, mas nunca via quem eram os donos da casa, até que um dia, vindo da escola vi no portão um casal de velhinhos, o velhinho era alto com as orelhas enormes (hehehe), a velhinha era baixinha e tinha um rosto muito simpático! Como minha irmã e eu éramos pequeninhos, cuti-cuti e tal, os velhinhos se encantaram com a gente. Com um sotaque engraçado, que puxava um italiano, pediram para nossa babá esperar um pouco que iam pegar uns biscoitos caseiros pra gente, com aquela velocidade de 2m/mês hehehehehe lá foram os dois juntinhos, alguns minutos depois voltaram com dois biscoitões enormes feitos de trigo, eram MARAVILHOSOS! Ficamos muito felizes, prometemos voltar mais e fomos embroa. E realmente voltamos, sempre que agente vinha da escola e eles estavam em casa, agente era presenteado com os deliciosos biscoitos. Tinha vezes que o senhor ficava sentado na sua cadeira de balanço na frente da porta da casa, que ficava lá depois do jardim, mas ele tinha problema de surdez, porquê minha irmã e eu gritávamos e ele não ouvia eheheheheheheh Depois de muito tempo, com minha mãe, agente entrou na casa deles, e que casa aconchegante! Era simples, mas eu nunca havia me sentido tão confortável só do fato de entrar numa casa. Os móveis de madeira antiga, parede com retratos dos dois ainda jovens, bules antigos. Na copa uma grande mesa retangular com uma madeira rachada e uma toalha xadrês em cima ocupava quase todo o lugar. Então sentamos ali e eles nos serviram os biscoitos divinos com coca-cola. E isso se repetiu mais algumas até que um dia tive que mudar. Como era criança nem me toquei no que isso resultaria. E nunca mais os ví =/ (uma lágrima caindo aqui…)

    É triste não saber o destino deles, se eles se mudaram, quanto tempo viveram… Ainda vou lá qualquer dia desses, se o lugar não tiver muito modificado acho que consigo achar, a rua eu me lembro onde é. Tiro umas fotos e mostro pra vc.

    Desculpa me estender por mais da conta hehehehehe mas a casa da vovó me fez voltar bem no passado mesmo, na digitação que fui me lembrando mais dos detalhes.

    Um abraço .faso!

  2. .faso disse:

    Opa Lucas!

    Seja bem vindo novamente! Obrigado pelo comentário! É por manifestações assim que eu sempre volto por aqui!

    Essa idéia do vaso sanitário como um trono-trono é muito interessante! Ainda nem imagino que forma ele possa ter, mas já vi que a Vovólima poderia esconder algo dentro dele, tipo um diário super secreto ou coisa do tipo.

    Tá todo mundo me cobrando um jardim maior… acho que vou colocar mais alguns acres nele! XD E mea-culpa: como que eu fui me esquecer do balanço da Fabine?!?!? Shame on me… shame on me…

    Muito boa essa idéia dos pratos portugueses. Também fiquei imaginando as paredes forradas com quadros – tipo uma casa forrada de coisas, que tal?

    Nossa! muito linda essa sua história! Fiquei aqui imaginando todas essas cenas…

    Sua história me deixou com algumas caraminholas aqui na cabeça… mais tarde eu publico o que eu estou pensando…

    Um grande abraço e volte sempre!,

    .faso

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