Uma história de amor 2 – um post que eu não escrevi

uma história de amor 2

“- Foi só aí que fui descobrir que o seu avô não ficava apenas lendo livros na biblioteca o dia todo, mas que ele estava lá para me ver e tentar falar comigo, mas como ele era muito mais tímido do que eu, não conseguia.”
Vovólima parecia um pouco emocionada, talvez fosse saudade do vovô; talvez fosse aquele sentimento bom, de lembrar de momentos especiais como se folheasse um álbum de fotos de emoções passadas, todas guardadas na memória.

Ela continuou contando a história para Fabine: no dia seguinte, esperou ansiosa pelo jovem galanteador. Havia preparado uma resposta para ele, e à altura! Todos os dias, quando o rapaz chegava a biblioteca, escolhia sempre aquele mesmo lugar e lia sempre um livro que trazia consigo. Ainda assim – era regra pessoal – ele dava uma olhadinha em outro livro, sempre antes de ir embora. E vovólima sabia qual era…

Ela deixou tudo preparado: posicionou o tal livro misterioso; colocou o bilhete de uma forma escondidinha, mas que certamente seria encontrado; e se certificou de que só o galante jovem entenderia o sentido do bilhete. Qualquer pessoa que encontrasse o pequeno papel amarelado pensaria ser apenas um “carinho” de outro leitor, e uma indicação de uma leitura agradável nas páginas daquele livro em especial.

No bilhete dizia: “Somos sempre surpreendidos! E as surpresas geralmente caminham em vias opostas, esperando que sejam agradáveis para outras surpresas… Leia isso!”.

Infelizmente, o livro ficou ali, parado, durante todo o dia de trabalho. Foi um dia estranho, que foi passando cansado… O jovem galante não apareceu. O que pareceu muito estranho a Vovólima! Ele sempre veio, pq justo hoje?

No final do expediente ela recolheu o bilhete. Mas certa de que no dia seguinte tudo seria explicado… Que livro misterioso era aquele? Que surpresa é essa que Vovólima havia preparado para retribuir o carinho de sua surpresa inicial?

Mas era a Fabine que não estava gostando muito dessa enrolação… Até aquela hora do bilhete, e a espera pelo vovô ela estava atenta e inquieta. Mas aí ele não apareceu?? Parecia que o mundo havia acabado… E ela resolveu agilizar a Vovólima:

– Vó, pára com isso! Conta logo o que aconteceu… Ele apareceu? Leu o bilhete? O que era o verso?? Você ganhou um beijo dele?

– Calma, menina. – ponderou a vovó. – Você precisa ter calma, viu?! Essas coisas de amor não acontecem assim, de qualquer jeito… Se seu avô estivesse contando essa história você levaria ao menos uma semana pra saber que ele me entregou aquele poema, pra começar!

E ela riu devagarinho, enquanto o zumbido da chaleira parecia aumentar. A água fervendo levou a vovó a dedicar uns minutos de atenção ao jantar que preparava. Enquanto isso, Fabine imaginava (ou melhor, fritava seu cérebro de menina) o que dizia naquele livro misterioso…

Enquanto servia a mesa para o jantar, Vovólima recomeçou a história: ela contou que no dia seguinte tudo estava, de novo, organizado. E dessa vez as coisas foram diferentes…

Na hora de costume o vovô chegou à biblioteca, mais tímido do que de costume e foi em busca do conforto de sua mesa e cadeira pra “ler”. Bem, já sabemos que esse não era exatamente o motivo. O lugar estratégico na ampla sala repleta de estantes parecia mais um auditório, onde o rapaz selecionava a melhor posição para admirar uma obra cinematográfica ou uma peça de teatro.

Ele sentou, e tudo correu como sempre. Mas dessa vez ele não se demorou tanto… Será que pensava que a vovólima não lhe correspondia os sentimentos? Começava a ficar envergonhado por se expor daquela maneira ridícula e agora nunca mais poderia ir à biblioteca? Apesar dos sentimentos confusos, e da grande dor que começava a ameaçar sua saúde emocional, o rapaz manteve sua rotina e foi em direção à estante e ao livro que sempre visitava. E encontrou, enfim, o bilhete da vóvis e leu o poema que ela lhe indicava…

O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.

Ele leu, e leu e leu mais uma vez. Voltou, com o livro em mãos, para a mesinha oque lhe havia servido de sala de cinema por tanto tempo. Pegou um pequeno papel de dentro de sua pasta de trabalhos acadêmicos e escreveu: “Sinto que sua surpresa acabou de esbarrar na minha surpresa. E para minha nova surpresa, nossas surpresas são muito agradáveis entre si…”

Leu para si e achou aquilo tão idiota! Surpresas surpreendendo outras surpresas? Ele sentia como se estivesse estragando o maravilhoso bilhete de sua adorada bibliotecária! E o que o Drummond tinha a ver com tudo isso? Tadinho. Enfim, estava dando certo…

Junto ao bilhete e ao livro, anexou outro pequeno papel, que escrevera na hora, de “cabeça”, e que vovólima guardaria com ela para sempre… Era outro poema, de Drummond tbm, que dizia:

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

E essa brincadeira de poetar foi o que uniu os jovens… Que trocaram poemas ainda por algum tempo, antes que o jovem galanteador pudesse dedicar os versos ao olhar profundo de sua amada, enquanto segurava carinhosamente suas mãos.

Fabine estava emocionada com toda aquela cena de novela. Nunca poderia imaginar que amores da tv aconteciam de verdade, entre as pessoas normais. Ela pensou que viviam com uma estrela de cinema, uma verdadeira mocinha… Mas e o seu Nasório, como ficava nessa história? Fabine já ia perguntando isso a vóvis, e dizendo que, então, ele devia ser o vilão malvado…

Mas a Vovólima colocou um prato de macarrão e brocolis na frente da menina e disse: – As coisas não são bem assim, Fabine. Os contos de fadas, apesar de acabarem com um ‘viveram felizes para sempre’ e apesar de até serem verdade, não acabam ali… A vida da gente é um conto de fadas que não acaba, entende!?

– Acho que não, vovó! – disse a menina, com uma massinha teimosa no canto da boca.

– Bom, fato é que seu Nasório não é um vilão. E essa é uma outra história… Conto pra você outro dia, ok!?

– Ok! Quero mesmo é saber desse tal de Drumón aí…


Eu estava aqui matutando em como continuar a história de amor da Vovólima, quando sou surpreendido por esse gigantesco comentário da Laurinha – você irão concordar comigo: FICOU MARAVILHOSO!!! XD

Laura, tiro o chapéu do meu black para você! Clap-clap e muitos claps!!!

Um grande abraço e buzinem!

tio .faso

7 comentários sobre “Uma história de amor 2 – um post que eu não escrevi

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