Não há como ficar feliz sem estar triste

Irmãs Felicidade e Tristeza, respectivamente

Era uma tarde quente e suave na Vila dos Ipês. Cachorros e gatos preguiçosamente dormiam nas sombras das árvores e carros, crianças brincavam de pega-pega, vovós sentavam-se em frente as TVs para ver aquele programa de receitas. Na casa 14, esse tempo era curtido de forma diferente.

Vovólima estava sentada na sacada do seu jardim, lendo um livro sobre mitos indígenas; Froid estava deitado ao lado da cadeira da vovó,  usando um livro como travesseiro para o seu descanso. Fabine estava no meio do quintal, perto do grande Ipê. Com as mãozinhas coladas na cintura, ela olha admirada para o topo da árvore e exclama: – Nossa! como o senhor é alto!! Como é que você entrou pela porta da casa? – pelo pé do ouvido, Vovólima ouve a indagação da neta e dá uma risada gostosa, respondendo pelo Ipê:

– Ele tinha cortado o cabelo no dia, então ficou fácil para ele entrar!

Fabine ficou atordoada com a afirmação da avó. Como assim árvores tinham cabelos? Elas não possuem galhos? Ou seriam os galhos os cabelos das árvores? Então será que as flores seriam suas presilhas e maria-chiquinhas? Ela já não estava entendo mais nada.

– Mas vó, mesmo que o senhor árvore tivesse cortado os cabelos, ainda assim ele é muito gordo para entrar pela nossa porta!

A Vovólima não disse nada, apenas ficou com um enorme sorriso no rosto, admirando a perspicácia e inocência de sua neta.

Por um bom tempo, as duas ficaram se entreolhando, sem dizer uma só palavra. A vó sorria e olhava para neta e esta a fitava tentando entender o que se passava em sua cabeça. De repente, uma voz aguda e doce rompe o silêncio:

– Tá rindo de mim por quê, vó?

– Não estou rindo de você Fabi, estou feliz.

– Mas por quê a senhora tá feliz? – Fabine retruca, aproximando-se da avó, subindo em uma cadeira ao lado dela.

– Eu estou feliz porque você me faz feliz. Você é uma menininha linda, doce e muito esperta! Você tem tudo o que me faz feliz! – Ela responde, passando a mão no rosto da neta, tentando tirar uma sujeirinha em sua buchecha.

– Mas a senhora não fica triste comigo não? Meu pai fala que eu não devo bagunçar a casa da senhora, senão a senhora fica triste! Eu já te deixei triste, vó? Não gosto de tristeza… por mim esse negócio nunca deveria existir!

– Você não deve pensar assim meu anjo, pois a tristeza é a irmã gêmea da felicidade!

Fabine olha espantada para avó. Como a felicidade pode ser a irmã gêmea da tristeza?! A vovó vê a confusão expressa no rosto da sua neta e danda a explicar:

– Tudo na nossa vida é feito em pares. O Sol é irmão da Lua, o Dia é irmão da Noite, o Doce é irmão do Salgado e assim por diante. É por isso que a Felicidade é irmã da Tristeza. Sem isso, elas não teriam sentido para nós.

Franzindo a testa, Fabine interrompe: – Vó, não tô entendendo! – e com sua inabalável paciência, a vovó continua a explicar:

– Fabi, sabe quando você fica tristinha, sem vontade de fazer nada? Se a Tristeza não te causasse isso, você nunca saberia como é a Felicidade. Pense que as duas são meninolas como você. Se elas estivessem brincando aqui no quintal, você veria menina toda tristinha e paradinha e outra serelepe e pululante como você.

– Separadas, uma sempre vai ficar muito, mas muito feliz e a outra cada vez mais triste. Em algum momento, a Tristeza sentará em um cantinho e começará a chorar e isso chamará a atenção da Felicidade. Como as duas são irmãs e uma se preocupa com a outra, a Felicidade ficará séria, se aproximará e tentará animar a sua irmã. Ela fará de tudo para ela se alegrar e parar de chorar. Quando isso acontecer, a Felicidade ficará muito alegre e a Tristeza menos triste.

Após a explicação, Fabine faz um biquinho e balança positivamente a cabeça, concordando e entendendo  com o que a vovó acabara de explicar. Repentinamente sua cabeça pára de balançar e suas sobrancelhas se envergam:

– Mas vó, se a Felicidade deixar a Tristeza feliz, a Tristeza deixa de ser Tristeza! Aí sem a tristeza não tem mais ninguém triste, então ela não deveria existir como eu falei!

– Você é mesmo uma menina muito esperta! Realmente é isso que deveria acontecer, mas como a Tristeza é uma menininha muito distraída, volta e meia ela cai, arranha o joelhinho, fura o dedo em um espinho de uma rosa ou briga com alguma amiguinha – enfim, ela volta a ficar triste e cabe novamente a sua irmãzinha a alegrar de novo.

– Nossa vó – diz a Fabine – a Tristeza deve ser uma menina muito delicada; ela deve chorar por tudo! Agora eu entendi porque ela tem uma irmã. Sem ela, ela se machucaria muito e sempre ficaria dodói. É por ter uma irmã assim, que te faça feliz quando você precisa mais dela. E olha só vó: se não existisse a Tristeza, a Felicidade não teria porque ficar feliz! Então eu errei mesmo! Se não tivesse tristeza, não teríamos porquê ficar felizes.

Este é mais um conto do que irão para o livro (sem nome ainda, sugestões sempre serão bem vindas!). Pessoal, estava pensando em melhorar essa nossa conversa. Voltar as origens do .marca, trazendo vocês aqui para o texto. Digam-me o que vocês acham:

Que tal, em primeira estância, vocês sugerirem os assuntos que eu devo abordar;

  • Ao invés de eu fazer todo conto de uma só vez, faço ele pela metade e vocês buzinam o resto.
  • O que vocês acham? Se concordarem, pode ir buzinando suas idéias.

Um grande abraço,

.faso


Como você quer saber das novidades do .marca?É só responder a pesquisa ali do lado, lá em cima debaixo da vovó.

9 comentários sobre “Não há como ficar feliz sem estar triste

  1. Fer Cipriani disse:

    ui, adorei. claro que vai ter a alegria e a tristeza “em carne e osso” né??
    Eu adorei a história, e não darei pitaco nenhum, tá perfeita (:
    Quando faremos uma votação de nomes pro livro??
    beijas.

  2. .faso disse:

    Fer,

    Certamente terá a Felicidade e a Tristeza em “carne e osso” (ou “pano e linhas”).

    Então, a votação pro livro precisa ter… o livro pronto! XD Vamos ver se conseguimos acabar o dito nos próximos dois meses! X)

    Um grande abraço,

    .faso

  3. disse:

    ainnn
    sabe o que é mais chato em ficar mto tempo sem aparecer? fico sem saber nada das novidades… toda perdida!

    mas vamos lá, vou me inteirar das coisas. e super adourei o que estou vendo.

    beijo

  4. .faso disse:

    AH-HA! Olha só quem está de volta!! Bem vinda sumida!!!

    Se preocupa não que hoje vou montar um “vovóguia” com tudo o que vem acontecendo e acontecerá, assim ficará mais fácil se localizar!

    Um grande abraço,

    .faso

  5. Kiki disse:

    Nossa .faso! Amei o jeito que você colocou as coisas e como descreveu felicidade e tristeza!

    Assim como você eu também tenho vontade de escrever um livro, quem sabe um dia! Mas o que eu escrevo é meio ‘Lord Byron’… :P

    Parabéns pelo site, virei fan mesmo! agora não saio mais daqui. :))

    Beijooo :*

  6. .faso disse:

    Olá meninola! Seja bem vinda!!!

    Fico super ultra feliz em saber que você gostou dessa história!!!

    Espero que você consiga fazer o seu livrim… mesmo sendo tão denso e romântico-classudo! (esse sim vai ser difícil!)

    Um super abraço e volte sempre!,

    .faso

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