Um pensamento de solidão

Um pensamento de solidão

Era uma tarde de sexta-feira. Kiki estava com sono e querendo ir para sua casa descansar, mas precisava ficar ali naquela aula de laboratório. O professor todo animado falava sobre células humanas e vegetais e a única coisa que ela pensava era em seu travesseiro. Ele era tão fofo e acolhedor e não se importava nem um pouco em ficar com ela.

Aliás, “estar com ela” era uma situação não muito corrente, tendo em vista que os seus únicos (e poucos) amigos ficaram para trás na sua última escola. Nesta nova, ela quase não falava com ninguém; era vista com olhares tortos pela panelinha das patricinhas e fortinhos, enquanto os nerds ali presentes só falavam de internet, jogos e pornografia. Todo santo dia ela entrava na sala e ia sentar lá no fundo, perto da janela – sua verdadeira e única companhia que lhe apresentava um céu tão azul que dava vontade de ter asas e voar.

De volta a aula, as mesmas bolinhas microscópicas eram mostradas pelo projetor e o microscópio tinha um cheiro estranho, como se tivesse saído de um banho de Hospital. Ao seu lado estava sentada uma menina que ela nunca havia visto antes – talvez de relance pelos corredores do colégio. Algo dentro dela dizia que ela era de outra turma e tal qual como ela, ficava se escondendo ali no fundo.

Muito tempo passou e em nenhum momento as duas trocaram palavras ou olhares. Na hora de ir embora, Kiki percebeu que ambas iam para o mesmo ponto esperar pelo ônibus que as conduziria para casa. De repente, ela começa a ouvir um choro abafado, como se algo estivesse tentando disfarçar as lágrimas. Ela olha para um lado, olha para o outro e não visualiza ninguém com os olhos marejados. É aí que ela percebe que aquele choro provém da menina do microscópio ao lado.

“Como assim ela chora sem chorar?”  – Kiki tentava raciocinar. Parecia estar imaginando coisas, mas ela estava certa que aquela menina é que estava chorando… ou não!

Envolta em milhares de pensamentos, Kiki percebe que o choro vai ficando mais suave e percebe que a menina está entrando no  ônibus que acabara de parar. Sem pensar duas vezes, ela entra no coletivo, sobe os poucos degraus e fica exatamente atrás da menina do microscópio ao lado. O choro fica alto como nunca, mas ela começa a ouvir outras coisas – lamentos e desejos de ir embora desse mundo. Aquilo a deixou triste – muito triste mesmo e não sabia o que fazer para mudar aquilo.

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Essa é a primeira estória da Kiki: a Menina que Roubava Pensamentos. Seguindo os comentários de alguns de vocês, tentei abordar um tema que envolvesse um pensamento negativo, uma adolescente que não sabe o que está acontecendo e um coração caridos.

Se você fosse a Kiki, como vocês reagiriam numa situação como essa? Vamos buzinar a continuação da estória.

Um grande abraço,

.faso

12 comentários sobre “Um pensamento de solidão

  1. Kiki disse:

    Pois é faso,

    A verdadeira Kiki sempre se sente assim! .__.
    Gostei muito da história reflete em termos de experiências pessoais o que na maioria das vezes realmente aconteceu na minha vida.

    É incrível como vc vê essas coisas nas pessoas! É o seu dom!
    Te adoro muito viu?

    ;*****

  2. Kamila disse:

    Ah.. que lindo! Estou ansiosa pra ver a continuação..
    Descobri o site de vocês faz pouco tempo, e foi logo na criação da Kiki. Adorei tanto ela que a partir daquele dia ela ficou como papel de parede no meu desktop (e muitos aqui no meu trabalho já elogiaram o desenho! eheheh).

    Espero que ela possa usar esse dom para ajudar as pessoas…!!

    bjs

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