Digivoluindo

Zumbigo arte finalizado e colorizado

Aprendendo com erros, ouvindo conselhos e finalmente chegando aonde se desejava.

Faz um bom tempo que não faço um post sobre assuntos “making of” – gosto de mostrar e ver os bastidores das coisas que nos cercam. O desenho acima é o resultado de uma experiência que fiz na madrugada passada, a qual eu gostaria de compartilhar com vocês.

Primeiramente é notório que eu sou uma pessoa insatisfeita com o meu traço. Por mais que eu desenhe como um condenado, sempre sinto que não consegui representar o que eu queria. Mas dessa vez eu consegui identificar o autor das minhas agonias: a arte final.

A arte final é simplesmente o acabamento que o ilustrador dá ao seu trabalho, após o trabalho a lápis (se eu estiver errado, me corrijam – aprendi assim). No meu caso, é passar o raio da tinta preta no desenho a lápis.

Eu estou de bem com o meu desenho a lápis (vide abaixo), tanto que essa etapa eu faço todo sorridente e pululante. Mas quando o negócio parte para a danada da canetinha preta… o céu se fecha. Em minha última tirinha do Zumbigo, fica clara essa deficiência.

Zumbigo voltará a zumbigar!

Esboço a lápis HB do Zumbigo

Desesperado sem saber como resolver o problema, tentei várias técnicas para desenhar o Zumbigo, mas todas foram infrutíferas. Até desabafei no meu twitter pessoal e foi aí que um anjo caído do céu ilustreiro me mostrou a luz.

A caríssima Naomi (@laconics) – a qual eu tive o prazer de papear em alguns Bistecões e via MSN, me deu o seguinte conselho às duas e poucos da manhã:

“[…] tenta resolver melhor no “preto no branco” com as canetinhas […] porque acho que quando você se encontrar via caneta, você consegue trazer isso pra qualquer meio, seja digital ou não […] pega um quadro só, esse a lapis por exemplo e finaliza de jeitos diferentes”

Como eu nunca havia feito isso -desta forma- resolvi tentar. A primeira coisa é tentar entender quais são os tipos de canetas de ponta porosa que eu tinha:

Exemplos de linhas e suas respectivas canetas

Exemplos de linhas e suas respectivas canetas

Nessas poucas linhas acima, devem ter uns R$40 em canetas. Cada uma de um fabricante diferente (no caso 3: as japonesas Towbow e Sakura de ponta dupla e a alemã Staedtler). Cada canetinha dessa tem um comportamento próprio e jeito únicos de se utilizar. Como sugerido pela Naomi, fiz quatro testes:

1) Caneta Extra fina (Sakura)

zumbigo-teste-01

Com a caneta extra fina eu comecei a fazer a arte final como sempre fiz, mas desta vez tentei deixar o traço mais cabeludo. O resultado ficou fraco.

2) Fake pincel (Towbow) e caneta extra fina (Sakura)

zumbigo-teste-02

Misturando o pincel falso com a canetinha extra fina, vi que dava para dar uma organicidade maior ao desenho, mas ainda faltava mojo.

3) Caneta fina e extra fina (Sakura)

zumbigo-teste-03

Ao trabalhar com a caneta fina e extra fina, percebi um delicioso contraste entre linhas mas… ainda faltava alguma coisinha…

4) Fake Pincel (Towbow) e Caneta fina e extra fina (Sakura)

zumbigo-teste-04

Ao cruzar três tipos de canetas (pincel falso no rosto, fina no corpo e extra fina nos detalhes e hachuras) consegui dar um movimento mais orgânico ao desenho, algo que quebrou um pouco da frieza das formas puras que uma caneta de ponta porosa comum tem.

Perceba que precisei utilizar três canetas diferentes para conseguir um resultado parecido com o que tenho no lápis, só que mais limpo e inteligível, permitindo a transposição para o computador de forma suave e orgânica. Antes que perguntem: eu faço o desenho a mão, digitalizo, trato a imagem no Gimp e rasterizo e faço a colorização no Inkscape. Todo esse trabalho por uma tirinha de zumbis! XD

Bem, acredito que agora eu possa voltar ao ritmo normal de produção. Sei que preciso de três canetas para finalizar um desenho, mas acredito que valha a pena.

Gostou do resultado final?

Um super abraço,

tio .faso

3 comentários sobre “Digivoluindo

  1. Martina disse:

    Adorei o texto, o conselho e me enxergar neste post, foi delicioso. Faso, todo o ilustrador tem o fantasminha da insatisfação rondando a mente e puxando o pé a noite. Isso é normal a todo o criador que não se contenta com o possível, que quer mais, que quer além.

    Sou perfeccionista e sofro às vezes. A mão chega a doer, putz! Mas não paro até conseguir um traço que eu curta. Uma arte que me agrada. Um final que seja fiel ao que pensei mentalmente.

    E sabe? Ser assim, cuidadoso ao extremo, é bom: a gente vai dessa para a melhor com a certeza de que não sabemos tudo, mas que buscamos ser os melhores que podíamos ser.

    Eu adoro teus trabalhos. Estou ansiosa por ter meus mini-mis encomendados em mãos.

    Um beijo!

  2. .faso disse:

    Oi Martina!

    O perfeccionismo às vezes nos mata de frustação. Eu cheio de idéias para tirinhas e vendo que o meu desenho não condizia com o que o meu coração mandava. Precisei ir dormir às 3h30 da manhã de ontem para ter certeza de que tinha chegado aonde eu queria. Às vezes valhe a pena dar o sangue e o sono para ter um sorrisão estampado em nosso ego.

    Também é necessário abrir a cabeça às vezes (a técnica de ilustração que eu uso nos mini-mis nãqo funcionou com o zumbigo… nem por reza brava! XS (ainda bem! XD)

    Adorei a sua frase final: “[…] a gente vai dessa para a melhor com a certeza de que não sabemos tudo, mas que buscamos ser os melhores que podíamos ser” – a mais pura verdade.

    Muito obrigado pelo comentário e carinho,

    tio .faso

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