Entendendo o seu funcionamento

Uma das coisas que há um bom tempo vem me intrigando é a minha própria forma de pensar. Não estou falando dos meus valores e ideais, pois estes estão bem claros e concisos para mim, mas sim da forma que eu venho trabalhando com desenho.

Gosto muito de desenhar, tanto que uma das minhas metas para este ano é me tornar oficialmente “ilustrador” (depois explico as aspas), mas eu não sei ilustrar. Calma! Deixe-me explanar um pouco mais sobre isso.

Rascunhos para a construção de um boneco

Rascunhos para a construção de um boneco


Diferentemente de antigamente, eu gosto do meu traço. Amo mesmo, mas tenho uma dificuldade ENORME de desenhar coisas que não sejam meros esquemas; desenhos técnicos primitivos que me auxiliam na hora de criar os bonecos. Logo, compor ilustrações é, para mim, algo muito sofrido e frustante. É aqui que entra o título do artigo.

Se eu pudesse mostrar facilmente para vocês como eu penso, vocês iam chegar a mesma conclusão que eu, só que sem passar tantos anos para aceitar isso: eu PENSO em 3D (todo mundo pensa em 3D, mas estou me referindo a desenho). Eu vejo uma folha plana de papel como se fosse um holograma tridimensional; o meu cérbero consegue desplanificar as coisas facilmente, tanto que eu olho para uma faca aberta de embalagem e na mesma hora eu consigo ver a dita montada na minha frente, como se flutuasse (minha “self realidade aumentada”). Tentar passar a sensação de tridimensionalidade para uma ilustração bidimensional é praticamente impossível para mim. Foi aqui (há uns dois anos atrás, para ser mais exato) que eu pensei: “porque diabos eu não ilustro dentro do mundo físico?” – é aqui que começa a maluquice.

Vocês já devem ter notado que os meus desenhos vivem em um Mundo de Pocoyo (sem cenário; tudo branco). Isso acontece principalmente por causa desse meu problema de tridimensionalidade, aliado a minha mente compartimentada (se eu precisar desenhar uma cidade, eu tenho que rabiscar ela inteira. Um personagem na frente dela gera uma espécie de bug mental e eu não consigo enxergar o que está atrás dele). Eu simplesmente não consigo nem rabiscar um cenário em papel, mas consigo pensar ele no mundo tridimensional.

Hoje, para quebrar o danado desse paradigma, resolvi meter a mão na massa: fiz um rascunho tridimensional. Ei-lo:

Rascunho tridimensional (físico)

 Pela primeira vez nessa minha vida consegui rabiscar uma ilustração. Tudo funcionou de forma tão fluida e natural como respirar e comer. Consegui colocar os elementos que eu queria (um beijo pro inventor da fita crepe! X* ) e compor a cena da melhor forma possível. Sinto que dessa vez eu realmente me entendi.

O próximo passo é finalizar essa ilustra (que pela quantidade de árvores, vai me tomar algum tempo! XP ). Definitivamente o meu grande plano profissional para 2012 oficialmente começou!

Um super abraço do tio .faso

7 comentários sobre “Entendendo o seu funcionamento

  1. doug_pc disse:

    Faso….dá uma olhada nos desenhos do Chris Sickles, do Red Nose Studio.
    Ele também ilustra no mundo físico.
    Acho os trabalhos dele excelentes e excepicionais além de uma ótima referência.

    • Tio .faso disse:

      Doug – Chris Sickels é um dos motivos pelo eu qual resolvi mexer com ilustração bonequeira. Conheço o trabalho dele há pelo menos 5 anos! X)

      Mesmo assim, obrigado pela referência mais que boa!

      Um super abraço do tio .faso

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *