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	<title>.marcamaria &#187; ouvir</title>
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	<description>Uma bonecaria contemporânea especializada em criação de bonecos personalizados e jujubentos. Alguns são estranhos; outros possuem pintinhos e outras coisas impublicáveis, mas no final todos são feitos com muito amor e carinho!</description>
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		<title>A voz do silêncio</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Nov 2008 17:42:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tio .faso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vovólima]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img class="aligncenter" src="http://farm4.static.flickr.com/3020/3041971778_8ca7a54b5d.jpg" alt="Folhas balançando ao vento" width="500" height="267" /></p>
<p>Era tarde de terça. Fabine estava tomando um banho antes do almoço enquanto a Vovólima verificava sua agenda para ver quais lições ela tinha para fazer. Dentro dela, havia um bilhete da professora, pedindo para ela entrar em contato com a escola. Preocupada, ela liga para o colégio e fala durante alguns minutos com a &#8220;tia&#8221; da Fabine. Sua costumeira expressão de felicidade havia mudado.</p>
<p><span id="more-576"></span></p>
<p>Após o banho Fabine senta-se a mesa. Do outro lado de onde ela estava, ficava o pratinho de comida do Froid e este acabara de acordar do seu sono matutino, louco para beslicar alguma coisa. Com um pulo, ele sobe na mesa. Fabi toma um susto, pois não havia percebido a chegada do seu fiel companheiro de chá.</p>
<p>O dia estava suavemente quente e ensolarado e as árvores do quintal balançavam para esquerda e para direita, como se a brisa lá fora cantasse e animasse a festa. Froid ainda comia e mastigava a comida com vigor, como se não comesse há dias. Fabine achava isso engraçado, pois metade da comida que ele tentava engolir acabava sendo espalhada para os lados. Após deleitar-se com o seu banquete, Froid senta-se enquanto os seus enormes olhos amarelos a fitam. Os dois se entreolham, quando Fabine vê o Froid abrindo a boca. Aquilo lá não era um bocejo, parecia um miado abafado &#8211; novamente ele abre a boca e se aproxima dela, esfregando-se em seu braço. Ela não entende porque o Froid tá miando tão baixinho e, assustada vai falar com a vovó.</p>
<p>Ao sair da mesa ela dá de cara com a Vovólima, que estava o tempo todo ao seu lado. A cara da vovó não era a mesma. Ela só a havia visto assim uma vez na sua vida, mas não se lembrava direito o que havia acontecido. Olhando para o rosto da vovó, ela percebe que ela balbuseia algumas palavras que ela não consegue entender direito. Novamente a vovó fala, em um tom que a Fabine consegue entender:</p>
<p>- VAMOS COMER RAPIDINHO QUE EU MARQUEI UM MÉDICO PARA VOCÊ!</p>
<p>Ela estranhou o comportamento da avó, que sempre foi calmo e sereno e como não sabia o motivo de tudo aquilo, ela resolveu comer em silêncio. E foi desse modo que transcorreu o almoço. Mais tarde, elas estavam no médico, um senhor tão velhinho como a Vovólima. Fabine observava tudo sem saber o que estava ocorrendo. Eles apenas se cumprimentaram e o doutor usou um aparelhinho engraçado para ver o seu ouvido. Ela precisou entrar em umas salinhas onde ela colocava uns fones de ouvido enquando ouvia uns barulhinhos estranhos. Depois disso ela ouviu alguns comentários sobre uns tais de <em>&#8216;tibióticos</em> que ela podia jurar que deveria ser um bichinho muito feio e engraçado para poder ter um nome desses.</p>
<p>Tempo depois ela estava na sala de espera chupando um pirulito que o médico havia lhe dado. A vovó conversava com o doutor dentro do seu consultório. A moça bonita da recepção a olhava, dava um sorriso e acenava com a cabeça, mas não pronunciava nada. Aquele consultório era o lugar mais calmo que ela havia visitado.</p>
<p>Passado algum tempo, Vovólima sai da sala do médico e anda em direção da Fabine. Extendendo a mão para a neta, as duas vão embora. No bondinho Fabine podia observar a paisagem. Estava um calor gostoso naquele começo de noite. Tudo era tão bonito. As poucas luzes acesas pareciam estrelas de árvores de natal. Os carros e as pessoas caminhavam calmamente. Tudo estava tão suave e calmo &#8211; até as buzinas do carros haviam sussurrado durante sua passagem.</p>
<p>Chegando em casa, Fabine tira os sapatinhos na porta para não levar sujeira para dentro da casa. A Vovólima está bem atrás dela fazendo o mesmo movimento e logo ela coloca os dois pares de sapato dentro da sapateira. Sentando em uma poltrona ali perto, ela chama a Fabine que fica em pé bem de frente para ela. Ela nunca havia visto a sua vó triste, forçando a sua boquinha para esboçar um sorriso. Ela começa a falar em um tom forte, porém não tão alto como na primeira vez, na hora do almoço.</p>
<p>- Fabi, eu já te falei que o silêncio tem voz?</p>
<p>- Não, a senhora nunca falou. Por que você tá assim vó? Nunca te vi assim triste!</p>
<p>- Sabe, todos pensam que o silêncio é algo ruim &#8211; algo diferente. Mas não é assim. Muitas pessoas vivem no silêncio. Mas mesmo se não há nenhum barulho, há muito o que dizer e ouvir. Nosso corpo inteiro pode funcionar como as palavras que saem da nossa boca &#8211; basta aprendermos como fazer isso.</p>
<p>Sem entender o que a sua vó queria dizer, ela indaga:</p>
<p>- Mas porque tudo isso vó?</p>
<p>A vovó puxa todo ar que o seu pulmão poderia suportar e passando a mão na cabeça da netinha ela sorri &#8211; não como o seu costumeiro sorriso quente, mas uma expressão não tão feliz, mas verdadeira.</p>
<p>- Nós duas vamos ouvir a voz do silêncio. Eu e você. O mundo ficará caladinho para podermos aprender coisas novas&#8230;</p>
<p>A expressão da Fabine muda. Ela desvia o olhar da vovó, o que a faz interromper o seu discurso. Com lágrimas nos olhos, ela fala com sua costumeira esperteza.</p>
<p>- Vó, não precisa se preocupar. Eu sei que estou começando a falar com o Sr. Silêncio. Não é bom, mas sei que vou sempre poder falar com você &#8211; porque só quem fala com o coração sabe como ouvir tudo, mesmo que em silêncio.</p>
<p>E um forte abraço foi a única coisa que rompeu o silêncio.</p>
<p>&#8212;&#8212;-</p>
<p>Um grande abraço,</p>
<p>.faso</p>
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